terça-feira, 3 de abril de 2012

O Papel Da Família - Sentimentos e Emoções

Os portadores de esquizofrenia, pelas características da própria doença, passam a maior parte de seu tempo com suas famílias, principalmente seus pais e irmãos. As pessoas diretamente ligadas a eles também sofrem com os desgastes provocados pelo transtorno.

A esquizofrenia pode interferir nas relações familiares, provocar sentimentos negativos, como raiva, medo e angústia, pela sensação de impotência que os sintomas trazem. Como reagir frente a um delírio ou uma alucinação, que comportamento deve se ter diante de alguém desmotivado, que se isola ou que reluta em fazer alguma atividade? Como aceitar os percalços que a doença traz sem descontar no paciente, sua principal vítima, as nossas próprias frustrações?

O impacto emocional que o adoecimento traz aos familiares é muitas vezes tão intenso quanto àquele que atinge o paciente. Algumas reações comuns entre os familiares, particularmente no início da doença, quando tomam conhecimento do diagnóstico, são:

→ Negação ou subestimação: sentimento de incredulidade ou de irrealidade, como se aquilo não estivesse acontecendo ou como se fosse um pesadelo do qual se poderia acordar a qualquer momento. O familiar pode criar fantasias acerca da doença, duvidar ou questionar seus sintomas, acreditar numa cura miraculosa ou achar que o problema é menor e não deve gerar preocupações.

→ Sentimento de culpa: procurar responsabilizar alguém ou a si próprio, buscar um culpado para a doença.

→ Sentimento de revolta: agir com raiva diante do paciente ou de outro familiar, por não aceitar a doença.

→ Superproteção: acreditar que a doença vai deixar o paciente incapacitado e dependente, desenvolvendo formas de controle e cerceamento que irão tolir a liberdade e limitar a autonomia da pessoa.

O familiar precisa de tempo e de informação para mudar seus sentimentos, refletir sobre suas convicções e perder os preconceitos. Aprender a lidar com os sintomas vem a partir da vivência cotidiana, que precisa de reflexão e reavaliação constantes. Nossas atitudes podem ser determinantes para o futuro da pessoa que sofre de esquizofrenia. Atitudes positivas contribuirão para uma melhor recuperação, um futuro mais promissor, com menores índices de recaída, maiores possibilidades para se trabalhar a autonomia e melhorar a qualidade de vida e dos relacionamentos. Atitudes negativas desgastam as relações, impossibilitam a recuperação plena e estão associadas a um maior número de recaídas e a uma evolução mais grave da esquizofrenia.

Emoção expressada (E.E.) é o termo dado por pesquisadores ao conjunto de atitudes, sentimentos e reações de familiares que refletem emoções desajustadas relacionadas à doença e ao familiar adoecido. Quando se diz que uma família tem altos níveis de E.E., significa que os relacionamentos estão em conflito, aumentando a sobrecarga e o estresse. A capacidade de solucionar os principais problemas trazidos pela doença e sua convivência fica muito prejudicada. Por esse motivo, altos índices de E.E. são um dos fatores que mais se relacionam às recaídas e a um pior prognóstico.

Os familiares e pessoas próximas precisam dedicar um tempo ao conhecimento dos aspectos da doença, como forma de compreender melhor seu familiar e amigo, refletir sobre suas atitudes, mudar padrões errados de comportamento e reduzir o grau de estresse, buscando solucionar da melhor forma os conflitos do dia-a-dia. Essa nova maneira de encarar a esquizofrenia vai se reverter em benefícios para si, aliviando o sofrimento e o impacto causados pelo adoecimento e, sobretudo, melhorando a convivência e o ambiente familiar.

Extraido do site:
http://entendendoaesquizofrenia.com.br/website/?page_id=194 
 

domingo, 1 de abril de 2012

Fumo aumenta o risco de esquizofrenia - Jornal do Brasil

Além de provocar câncer, doenças cardiovasculares e uma série de outros problemas, o tabagismo pode aumentar o risco de desenvolvimento de esquizofrenia nas pessoas que possuem uma variante genética relacionada ao transtorno. É o que sugere estudo realizado no Hospital Universitário de Psiquiatria, em Zurique, e publicado esta semana pela revista Proceedings of the National Academy of Science.

Exames de eletroencefalograma realizados em pouco mais de 1800 pessoas indicaram que o cérebro de indivíduos com uma mutação no gene TCF4 (proteína importante no desenvolvimento inicial do órgão) respondia a estímulos sonoros simples de maneira semelhante a dos que possuem o transtorno mental.  

Quando uma pessoa saudável é exposta a um estímulo qualquer, suprime a percepção dos aspectos irrelevantes para a tarefa. Já os esquizofrênicos não têm capacidade de realizar a filtragem da mesma forma e sofrem uma espécie de "inundação de informações".

Os pesquisadores constataram que, entre os voluntários que tinham a alteração no TCF4, aqueles que fumavam apresentaram um déficit maior no processamento de informações. O efeito foi expressivo tanto nos que tinham o hábito de consumir muitos cigarros durante o dia quanto naqueles chamados de fumantes leves.

Segundo o líder do estudo, Boris Quednow, os resultados apontam para a necessidade de considerar o hábito de fumar como um significativo fator de risco para a doença em trabalhos futuros. "Como fumar altera o impacto do gene TCF4 na filtragem de estímulos acústicos, o hábito também pode aumentar o papel de genes específicos no risco de desenvolvimento da esquizofrenia", disse.

Extraído do Site:
http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2012/03/28/fumo-aumenta-o-risco-de-esquizofrenia/

quinta-feira, 1 de março de 2012

Esquizofrenia, Perguntas e Respostas - http://veja.abril.com.br/

Delírios, vozes e visões de seres imaginários. Esse é o quadro de uma pessoa que sofre de esquizofrenia. É comum também que ela passe por períodos de apatia e desordem de pensamento, com alterações de juízo, falsas ideias de perseguição e dificuldade em se relacionar. 

Descrito pela primeira vez no fim do século XIX, o transtorno ganhou esse nome em 1908, autoria do psiquiatra suíço Eugen Bleuler (1857-1939). A palavra é resultado da junção dos termos gregos skizo (divisão) e phrenos (espírito), devido aos sintomas que provoca. 

O mal atinge atualmente cerca de 1% da população mundial e conta com 56.000 novos casos a cada ano no Brasil. Compreenda a doença e as formas de tratamento, segundo orientação de especialistas, ouvidos pela repórter Cecília Araújo.


1. Como é feito o diagnóstico da esquizofrenia?

De acordo com o psiquiatra Jaime Hallak – professor do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) –, o diagnóstico é estritamente clínico. "Não há exames que a confirmem, mas isso não significa que eles sejam dispensáveis. Por meio deles, é possível descartar outros quadros, o que reforça o diagnóstico da esquizofrenia", diz Hallak.



2. Quais são suas principais características?

A esquizofrenia pode se apresentar de várias maneiras. Alguns quadros comuns são o afastamento da realidade por meio de alucinações e/ou delírios, o comportamento volúvel e estranho do paciente, o distanciamento do contato social e a maior dificuldade de estabelecer laços afetivos estáveis. "Trata-se de um transtorno crônico, que pode apresentar crises diante de conflitos ou situações em que faltam ao paciente recursos para simbolizar e suportar o sofrimento, como normalmente fazem as outras pessoas", explica a psicóloga e psicanalista Adriane Barroso.


3. O que ocorre de diferente no cérebro de uma pessoa esquizofrênica?

No centro do problema está a dopamina, neurotransmissor associado às sensações de prazer e de recompensa e que é encontrado em uma das regiões cerebrais mais profundas: o mesencéfalo. Nas pessoas saudáveis, a dopamina é liberada em quantidades equivalentes para os lobos frontal e temporal – sendo que o primeiro é responsável pela elaboração do pensamento, e o segundo, pela percepção e pela memória. O cérebro do paciente com esquizofrenia, contudo, funciona como se houvesse menos dopamina no lobo frontal e mais no lobo temporal. Essa falta provoca apatia e lentidão de pensamento. Já o excesso de dopamina na região temporal provoca delírios e alucinações. Essas duas falhas contribuem para o aparecimento dos sintomas da doença.


4. Há uma predisposição genética para a doença?

A esquizofrenia, por definição, é um transtorno neurodesenvolvimental, o que significa que ele se inicia quando o bebê ainda está sendo formado dentro do útero. Porém, apesar de tão precoce, a doença só é identificada na adolescência ou na fase adulta, pois é preciso que o cérebro amadureça para que os sintomas se manifestem. Em geral, ela aparece nos homens entre os 15 e 20 anos e nas mulheres entre os 20 e 25 anos. O psiquiatra Jaime Hallak explica que, apesar da existência de características hereditárias genéticas que colaboram para a doença, elas não são determinantes. "Se fossem, dois gêmeos idênticos, que necessariamente têm cargas genéticas iguais, teriam 100% de concordância no quadro de transtornos mentais, o que não acontece. Essa concordância é de apenas 50%", diz o médico Para quem não tem parentes esquizofrênicos, o risco de ser portador da doença é de 1%.


5. Ela tem alguma relação com o uso de drogas?

Sim. Antigamente, acreditava-se que as drogas não tinham influência na manifestação da esquizofrenia, apenas provocavam sintomas parecidos com o da doença. Contudo, estudos genéticos recentes já comprovam que o uso crônico da maconha pode colaborar para o seu desenvolvimento, dependendo do tipo de polimorfismo genético que o usuário possui.


6. Que consequências a esquizofrenia traz para a vida do portador?

A doença é marcada especialmente pela dificuldade que o indivíduo apresenta para criar e manter laços sociais, no relacionamento com as pessoas e com o restante do mundo. "Isso traz, obviamente, uma série de questões e entraves: o esquizofrênico, de maneira geral, apresenta problemas extras para lidar com momentos de conflito, com perdas e com mudanças. Deparar-se com essas situações pode causar o que chamamos de desencadeamento ou crises, em que geralmente se nota uma transformação brusca do sujeito, tanto no comportamento quanto no pensamento", diz a psicanalista Adriane Barroso. Consequentemente, se não tratado devidamente, o portador passa a ter problemas na escola, no trabalho e até dentro da própria casa, podendo tomar a atitude extrema de deixar a família ou ser abandonado por ela.


7. Ao notar sinais da doença em amigos ou familiares, que medidas devem ser tomadas?

O portador da esquizofrenia deve obter ajuda médica e psicológica o mais rápido possível. Em sua experiência hospitalar, o psiquiatra Jaime Hallak conta que, entre o momento em que a doença aparece até o portador ser levado ao psiquiatra, geralmente há um intervalo grande. "Os familiares costumam reconhecer a doença apenas quando ele tem sua primeira crise. O problema é que não existem sintomas tão específicos da esquizofrenia e, na maior parte das vezes, eles são muito sutis", explica. Por isso, é importante que a família se informe no sentido de apurar sua percepção, pois o ideal é que a doença seja tratada nos primeiros cinco anos.

8. Em que consiste o tratamento?

A psiquiatria lança mão de medicamentos antipsicóticos para tratar a esquizofrenia. Surgidos nos anos 50, os antipsicóticos evoluíram e estão cada vez mais específicos e seguros no controle dos sintomas da doença. Atualmente, preza-se que a medicação venha sempre acompanhada do atendimento clínico frequente, através do tratamento psicológico. A psicanalista Adriane Barroso explica que, com a psicanálise, "busca-se oferecer ao sujeito certa ‘assessoria’ para que seja possível, com os recursos que ele tem, enfrentar a vida, seus conflitos e suas questões".


9. Qual é o papel da família durante o tratamento?

A presença e a participação da família no tratamento do esquizofrênico é determinante, já que a doença, seus desencadeamentos e suas questões comumente afetam a dinâmica de toda a família. Segundo a psicanalista Adriane Barroso, geralmente os pacientes que apresentam ou já apresentaram várias crises se mostram ainda mais dependentes desse acompanhamento. "É necessário compreender os limites e as possibilidades desse quadro, de forma que seja possível prestar assistência sem, contudo, invadir a vida e a particularidade do sujeito", diz a psicanalista. Para isso é necessário que os familiares sejam orientados sobre como proceder nessa situação.


10. Qual a recorrência e a duração dos surtos esquizofrênicos?

Não é possível determinar a frequência das crises, que podem acontecer uma ou diversas vezes na vida do paciente. Porém, em apenas 15% dos casos não acontece um segundo surto. Os outros 85% têm crises recorrentes. Segundo o psiquiatra Jaime Hallak, um surto não tratado pode durar mais de um ano, enquanto aqueles que têm o acompanhamento adequado duram apenas dias. Somente casos em que os pacientes respondem mal aos medicamentos podem durar mais, chegando a até 10 meses.
Quanto mais longos e frequentes forem os surtos, mais prejuízos trazem aos papéis sociais do portador. Também por isso, é importante que o acompanhamento médico e psicológico se inicie o mais rápido possível. "O tratamento é a longo prazo e deve ser mantido mesmo fora dos momentos de crise. Dessa forma, com diagnóstico e tratamento adequados, os desencadeamentos podem, inclusive, ser evitados, garantindo ao sujeito uma vida estável", explica a psicanalista Adriane Barroso.



11. Quanto tempo costuma durar a internação dos doentes?

Por muito tempo, a internação foi utilizada de forma incorreta e abusiva. Hospitais psiquiátricos apresentavam condições desumanas, funcionando como verdadeiros depósitos de pessoas, que eram vistas como incômodo social ou para a família. Nos últimos anos, diversas leis têm sido criadas e modificadas no sentido de garantir o tratamento do paciente de acordo com suas necessidades clínicas, visando seu retorno ao convívio familiar e social tão logo seja possível. Hoje, há restrições quanto ao tempo de internação e às condições em que ela pode ocorrer. Um procedimento comum é a internação temporária dos esquizofrênicos, mas ocorre apenas quando esses pacientes apresentam riscos para si ou para terceiros. Segundo a psicanalista Adriane Barroso, o recurso não deve ser entendido como um processo prejudicial. "Ao contrário, ele é, muitas vezes, necessário e benéfico, desde que usado com critérios clínicos rigorosos, assim como todo o restante do tratamento."



12. A medicina está perto de achar a cura?

O psiquiatra Jaime Hallak garante que a medicina está no caminho certo: "Estamos trabalhando intensamente pela cura da doença e nos aproximando de estudos muito relevantes, inclusive liderados por grupos brasileiros. Costumo dizer que a esquizofrenia é uma doença que acontece em todas as raças, religiões e sexos e que não tem cura... ainda! Os resultados das pesquisas são promissores, e os familiares e portadores devem manter a esperança da recuperação total."

Extraído do site: http://veja.abril.com.br/ - 
Pela repórter Cecília Araújo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tipos Diversos De Classificações De Esquizofrenia

De acordo com o predomínio de um ou outro sintoma, a esquizofrenia é subdividida em diferentes tipos :

Residual - anteriormente chamada de esquizofrenia simples, estão presentes os sinais negativos da doença: afastamento e inadequação social, comportamento excêntrico, inadequação afetiva e pensamento ilógico. Há ausência dos sintomas positivos e pruridos de outras formas de esquizofrenia. Não são observados sintomas catatônicos, delírios ou alucinações, tornando-a por isso o tipo de mais difícil diagnóstico. O quadro progride durante anos, levando lentamente à destruição da personalidade. Os indivíduos afetados demonstram, em sua fase inicial, uma falta de consideração para com seus familiares e amigos e indiferente negligência às obrigações sociais, podendo demonstrar alguma amabilidade superficial para com os estranhos, mas todos os sentimentos profundos parecem inexistir.

Desorganizada - chamada antes de hebrefênica, caracterizada pela incoerência, desagregação do pensamento e da conduta, afeto incongruente ou embotado. Os atingidos, por esta forma de esquizofrenia, apresentam os mesmos sintomas negativos da forma residual, mas apresentam maior desordem do pensamento que aqueles, tornando-se muitas vezes indivíduos sem destino e objetivos, num estado de devaneio permanente. Não conseguem concentrar-se numa leitura ou num trabalho, a menos que sejam supervisionados e dirigidos a cada passo. Sentem-se atraídos por idéias pseudocientíficas ou pseudofilosóficas e consideram-se capazes de realizar grandes descobertas e invenções, sem que isto seja acompanhado de nenhuma atividade ou qualquer tentativa de realizar suas pretensões.

Catatônica - apresenta alterações na psicomotricidade, como estupor, rigidez, excitação, negativismo e posturas bizarras. As características associadas são : estereotipias, maneirismos, mutismo e flexibilidade cérea. O estupor é caracterizado por um bloqueio transitório de certos movimentos até imobilização total do enfermo numa postura fixa. O negativismo se manifesta sob a forma de recusa de alimentos, sujar a roupa ou cama com urina e fezes, resistência a toda ordem, como para se vestir ou lavar-se. Os estados de imobilidade transitória duram desde alguns minutos até várias horas e podem vir acompanhados de medo ou alucinações, mas geralmente não têm nenhum conteúdo ou motivação psicológica. A grande variedade de estereotipia de movimentos engloba de simples comportamentos motores até complicadas hipercinesias de caráter altamente simbólico.

Paranóide - marcada pelos delírios, freqüentemente de natureza persecutória e pelas alucinações auditivas. As características associadas são ansiedade, violência e alterações das interações sociais. É o tipo mais homogêneo e menos variável. Os delírios primários são seguidos por interpretações delirantes, constituindo-se nos principais sintomas e, com as alucinações, podem estabilizar-se como o único distúrbio de uma psicose crônica por muitos anos.

Indiferenciada - com sintomas que não podem ser classificados nas categorias anteriores ou quando preenchem simultaneamente os critérios para mais de um tipo.

Esquizofrenia - Por Dois Ângulos Diferentes

Certa vez, estive num passeio com o pessoal de uma igreja que frequentei há alguns anos atrás em um retiro espiritual, e num determinado momento no horário do almoço, eu entrei na fila para pegar minha refeição.

Enquanto eu estava na fila, havia dois colegas meus fazendo brincadeiras um com o outro, e um deles disse para o outro a seguinte frase:
“Sai daqui seu esquizofrênico!” (Devo destacar que não tem nada a ver com aquela igreja, estou me referindo a ele como um indivíduo, e não com a instituição igreja)

No momento em que ele disse essas palavras, eu me senti um tanto desconfortável com a situação. Só não me senti ofendido, porque eu tinha consciência que eles não sabiam que eu era portador de esquizofrenia.

Na cabeça dele, ele associava a palavra, esquizofrênico, com algo repugnante. Não posso julga-lo por isso, porque na nossa cultura a maioria das pessoas enxerga exatamente dessa maneira.

Por outro lado, existem pessoas que são mais esclarecidas.

Um bom tempo depois, eu conheci uma moça que foi apresentada a mim, por um amigo de infância e sua namorada.

Saímos juntos, eu, meu amigo, sua namorada e a moça que me havia sido apresentada; fomos visitar uma igreja e após o culto de adoração a Deus, nós saímos dali para uma lanchonete.

Nesses momentos em que estivemos juntos reunidos, acabou surgindo, um pouco de afinidade entre mim e aquela moça que eu havia conhecido.

Durante alguns dias depois, eu mantinha diálogo com ela por telefone e decidimos então iniciar um relacionamento mais próximo.

Marcamos um encontro, e fomos nos encontrar num shopping para conversarmos sobre essa nossa aproximação, iniciando assim um relacionamento afetivo.

Num determinado momento, eu contei a ela que eu tinha esquizofrenia, e para minha surpresa, ela não teve nenhum tipo de rejeição e preconceito quanto a isso.

Totalmente diferente daquela situação anterior que mencionei agora pouco.

Iniciamos então um namoro, e algum tempo depois, tivemos a felicidade de sermos padrinhos de casamento do meu amigo e da sua namorada.

Já faz oito anos que estamos juntos em nosso relacionamento, nos amamos e nos damos muito bem juntos.

Com a benção de Deus conseguimos construir nossa casa, e logo que Deus preparar, no tempo dele, nós estaremos nos casando, e com certeza seremos muito felizes juntos.

Isso tudo é claro, com uma condição muito importante...
...Sem preconceitos!

Denis

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ciência e Cultura - Esquizofrenia e Transtorno Bipolar

Especulações sobre a descoberta da cura da esquizofrenia povoaram a mídia nos últimos meses de 2003, como decorrência de uma apressada interpretação do artigo publicado pela revista médica The Lancet, em setembro passado. Ele abordava os resultados do grupo de pesquisa coordenado por Sabine Bahn, na Universidade de Cambridge, que encontrou origem genética semelhante entre a esquizofrenia e o distúrbio bipolar. 

Um dos efeitos da notícia foi levar muitos pacientes aos consultórios, buscando "alterar" o gene defeituoso para ficarem livres da doença, diz o psiquiatra José Alexandre Crippa, pesquisador do grupo de estudo em esquizofrenia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.

No artigo, a cientista Sabine Bahn deixa bem claro que "nosso estudo oferece fortes evidências de que esses distúrbios mentais estão associados à ineficácia da produção de mielina pelo organismo". 

Para Crippa, a conclusão da pesquisa não torna automática a descoberta da cura, como muitas matérias induziram a concluir. Na pesquisa, Sabine e sua equipe chegaram a essa conclusão após examinarem os cérebros de três grupos de pessoas: 15 portadores de esquizofrenia, 15 sadios e 15 com distúrbio bipolar. 

Analisando, nos três grupos, o funcionamento dos genes associados à formação da substância mielina, que protege os neurônios, permitindo que os impulsos elétricos sejam transmitidos devidamente no cérebro, os cientistas descobriram que eles eram menos ativos tanto nos pacientes com esquizofrenia como naqueles com distúrbio bipolar.

DIAGNÓSTICO A esquizofrenia é um transtorno mental que atinge quase 1% da população mundial. Os primeiros sintomas costumam ocorrer na adolescência ou início da vida adulta.

Atualmente, diversos grupos no Brasil estudam suas causas, que ainda não são conhecidas. Não existe cura para a doença. Estudos detectaram uma base genética, com maior chance de ocorrer em mais de uma pessoa da mesma família. 

Já se sabe, também, que fatores ambientais como infecção ou trauma intra-uterino, no parto ou após o nascimento podem estar relacionados ao transtorno. Os exames que visualizam o cérebro, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, têm mostrado, em pacientes com esquizofrenia, alterações em estruturas cerebrais.

Embora distintos, os transtornos de esquizofrenia e o distúrbio bipolar apresentam alguns pontos em comum. Ambos parecem ter uma base genética e várias alterações comuns em estruturas cerebrais.

Lúcia Cunha Ortiz

Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 
Ciência E Cultura - http://cienciaecultura.bvs.br

Quase metade de esquizofrênicos sofre com preconceito

O estudo é resultado de 732 entrevistas com esquizofrênicos de 27 países diferentes


Estudo divulgado pela revista médica britânica The Lancet informou que 43% das pessoas que sofrem de esquizofrenia sofrem algum tipo de discriminação por parentes ou amigos.

A pesquisa liderada pelo professor Graham Thornicroft, do Instituto de Psiquiatria do King's College London, mostrou que os casos de intolerância são mais comuns no ambiente familiar e na hora de procurar emprego.

O estudo é resultado de 732 entrevistas com esquizofrênicos de 27 países diferentes. De acordo com os especialistas, 64% dos participantes disseram ter experimentado a chamada "discriminação prévia" e desistiram de procurar emprego por medo de sofrer preconceito no processo seletivo.

Já 55% dos entrevistados admitiram ter vivido este mesmo tipo de discriminação quando tentavam iniciar um relacionamento amoroso.

O estudo disse que 43% dos ouvidos sofreram com o preconceito na família, enquanto 47% se sentiram discriminados quando tentavam conhecer pessoas ou manter amizades. Além disso, 27% sofreram com este problema durante uma relação sexual.

Por outro lado, os especialistas informaram que apenas 5% dos entrevistados admitiram que a doença lhes favoreceu em alguma situação.

"As taxas de discriminações prévia e negativa são muito altas entre os esquizofrênicos", disse um dos autores do estudo.

Os pesquisadores afirmaram que as medidas para combater o preconceito, como as leis de proteção aos incapacitados, "não tem o efeito esperado quando não se trabalha a autoestima destas pessoas".

De acordo com os especialistas, os casos de discriminação "tem relação com ao tratamento da doença, que pode reprimir os pacientes".

O estudo disse que, caso esta tendência seja confirmada pelas próximas pesquisas, os serviços de saúde poderiam voltar o tratamento para a "inclusão social" dos pacientes.

Texto extraído de:
http://www.estadao.com.br - 20 de janeiro de 2009